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Filipe

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Filipe

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20
Nov18

Eu fui injusto com ela

Filipe

A minha primeira namorada a sério, sem contar com aqueles namoricos de escola, chamava-se Angelina.

Conhecemo-nos numa noite de karaoke, ela estudava na mesma escola que a minha irmã que nos apresentou, e logo ali ela mostrou um grande interesse por mim. Não sei o que ela viu em mim, um rapaz de 17 anos, magro e de rosto comprido, cabelo desalinhado com gel, e um ar acabrunhado.

Despedimo-nos e, no seu olhar atrevido, vi que aquela despedida não seria para sempre.

 

Na semana seguinte cheguei a casa do trabalho e a minha irmã disse-me que tinha algo para mim. Uma carta. Uma carta de amor cheia de corações e perfume. Nela estavam escritas as mais lindas palavras de amor que até então alguém me escreveu. Palavras essas que chegaram ao meu coração.

"E agora o que faço?" - cheguei a perguntar à minha irmã. Não tinha a certeza daquilo que queria. Nunca tive.

"Escreve-lhe de volta. Ela diz estar apaixonada por ti. Quem sabe não te apixonas também?".

Escrevi-lhe de volta e deixei-me envolver por aquela magia que pintou os meus dias seguintes. Mais cartas surgiram, mais palavras escritas em folhas de papel romântico, até que chegou o nosso próximo encontro.

 

Foi numa sexta-feira, uma daquelas em que não trabalhava à tarde, que a encontrei de novo. Com sorrisos envergonhados e palavras vãs, enchemos a tarde em que as horas correram contra nós, e no fim, o momento que mais esperei com ansiedade aconteceu... o meu primeiro beijo.

Ao início fui a medo, deixei que ela, mais experiente, me conduzisse e me ensinasse também a explorar a boca dela. Um momento que nunca mais esqueci durante estes 15 anos e que, provavelmente, nunca mais esquecerei. Talvez seja verdade que o primeiro beijo nunca mais se esquece.

 

Os dias foram passando, vários encontros também, e fui me dando conta que ela era bem mais atrevida e ousada que eu na nossa relação. A Angelina tomava sempre a iniciativa por mim, eu era tímido. Algo não estava a correr tão bem como eu desejava. Eu sentia que ela queria e precisava de muito mais do que os beijos que trocavamos, ela sentia desejo por mim, eu via-o no olhar dela, mas eu nunca o senti. Nenhum de nós falou sobre isso, não havia a coragem suficiente, eu não queria dar o passo seguinte...

Um dia, numa tentativa ainda mais atrevida de me fazer acordar/perceber, ela disse-me: "podes apalpar-me e tocar-me onde quiseres". Eu tentei, juro que tentei, mas nada daquilo que eu estava a fazer me despertava qualquer desejo ou interesse... eu queria tanto, mas tanto, ser um homem capaz de satisfazer aquela mulher que quase me implorou um ato normal entre um casal.

Acabei por parar e dizer que tinha de ir para casa.

 

Os dias que se seguiram não foram fáceis. Eu não podia continuar a mentir-lhe a ela nem a mim mesmo. Terminei dizendo-lhe que gostava de outra mulher e que lhe desejava as maiores felicidades do mundo. Ela aceitou sem raiva e sem ódio, aquela mulher nunca teve um sentimento mau para comigo, não sei se percebeu aquilo que andei anos a esconder até de mim mesmo, nunca lhe perguntei. Mas as mulheres têm sempre um sexto sentido não é verdade?

Nunca mais a vi, nunca mais nos falamos. Por vezes, vou cuscar o perfil dela no Facebook, tem um novo amor, tem um filho, parece-me feliz. Deus queira que sim! Tenho vontade de lhe falar, mas não sei o que diga. Penso que lhe devo uma satisfação, um pedido de desculpas, sei lá! Afinal, eu fui injusto com ela.

 

Deixarei que o meu coração decida o que fazer.

 

Eu sou o Filipe, e tu? Tens alguma história para me contar? Então escreve-me: hfco28@gmail.com 

 

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